Falta de documentos da Prefeitura trava investigação sobre venda irregular de sucatas; vereadores dão 72h para envio de dados oficiais.
CEI da Emdurb em Bauru adia oitiva após Prefeitura retirar documentos do sistema
BAURU - A busca por respostas sobre o destino do patrimônio público em Bauru ganhou um novo capítulo de espera. Na manhã desta segunda-feira (05/01), a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, que apura denúncias de desvios de bens e sucatas da Emdurb, precisou adiar a oitiva da presidente da empresa, Gislaine Milena Casula Magrini.
O motivo foi a falta de documentos que deveriam ter sido entregues pela Prefeitura, mas que foram "retirados" do sistema logo após o protocolo. O clima na reunião foi de cobrança. O presidente da CEI, vereador Marcelo Afonso (PSD), revelou um movimento atípico: a Prefeitura chegou a protocolar as respostas no dia 29 de dezembro, mas recuou no dia seguinte, retirando os documentos sob a justificativa de que precisava acrescentar dados.
A investigação, que vem sendo acompanhada de perto pela comunidade, começou após o vendaval de setembro de 2025. Na ocasião, parte da cobertura de alumínio do Terminal Rodoviário foi arrancada. A denúncia que originou a CEI aponta que essas telhas e outros materiais de ferro teriam sido vendidos pela Emdurb de forma direta, sem a realização de leilão público — o que é exigido por lei.
Em diligências anteriores, diretores da empresa admitiram a venda (estimada em cerca de R$ 21 mil), alegando que o objetivo era evitar furtos e que o valor teria sido revertido em móveis para a própria empresa. No entanto, a falta de transparência e de processos licitatórios regulares levantou suspeitas de irregularidades administrativas e possível crime de peculato, caso também investigado pela Polícia Civil.
Durante a reunião desta segunda, vozes críticas como as dos vereadores Estela Almagro (PT) e Márcio Teixeira (PL) pontuaram que a retenção de informações por parte do Executivo prejudica a fiscalização. O advogado José Clemente Rezende, representante da OAB-Bauru na comissão, foi enfático ao sugerir o adiamento, argumentando que ouvir a presidente sem os documentos em mãos tornaria a oitiva ineficaz.
A Comissão deu um ultimato de 72 horas para que a gestão municipal envie toda a documentação solicitada. Uma nova reunião já está agendada para esta sexta-feira (09/01), às 9h, na Câmara Municipal.
Para a população, especialmente das áreas periféricas — público que o portal fmc-comunica.com.br acompanha atentamente — que dependem da eficiência dos serviços da Emdurb como limpeza e sinalização, o desfecho da CEI é fundamental para entender como o patrimônio da cidade está sendo gerido e se houve prejuízo aos cofres públicos.








