Em meio ao debate interno sobre a possibilidade de federação entre o PSOL e o PT, a deputada Mônica Seixas, do Movimento Pretas (PSOL), afirma que a discussão precisa ser tratada levando em conta a história do PSOL e o compromisso com a sobrevivência política do partido.
São Paulo, 21 de fevereiro de 2026
Em meio ao debate interno sobre a possibilidade de federação entre o PSOL e o PT, a deputada Mônica, do Movimento Pretas (PSOL), afirma que a discussão precisa ser tratada levando em conta a história do PSOL e o compromisso com a sobrevivência política do partido.
Segundo a parlamentar, dentro do PSOL, todas as forças políticas, à exceção do setor liderado por Guilherme Boulos, têm se posicionado contrárias à federação com o PT por entenderem que está em jogo a própria existência e autonomia do partido. A federação, nos moldes colocados, significaria uma subordinação estrutural a um projeto petista majoritário, colocando em risco a independência programática que marcou a trajetória do PSOL desde sua fundação.
Para Mônica, a cláusula de barreira não pode ser usada como justificativa para a liquidação política do partido. Ao contrário, deve servir como estímulo para fortalecer a organização militante, ampliar a inserção social e reafirmar o PSOL como instrumento próprio da classe trabalhadora, dos povos indígenas, do movimento negro, das mulheres e da juventude.
“A sobrevivência do PSOL não é um debate burocrático. É um debate sobre quem representa, com independência, os interesses dos trabalhadores e dos povos oprimidos neste país”, afirma a deputada.
A parlamentar destaca que o combate à extrema direita é a tarefa central do período. “A derrota da extrema direita não será fruto apenas de arranjos eleitorais, mas da força das lutas sociais. É nas ruas, nas mobilizações, nas greves e nas periferias que se constrói a vitória política que depois se expressa nas urnas.”
Nesse sentido, Mônica aponta contradições que não podem ser ignoradas. Povos indígenas seguem mobilizados contra projetos de privatização e concessão de rios como o Tapajós, denunciando a ausência de consulta e os riscos à soberania territorial. “De que adianta termos ministérios com figuras oriundas do PSOL se os povos indígenas seguem lutando praticamente sozinhos contra a entrega de seus territórios? Que soberania é essa se o capital internacional avança sobre a Amazônia?”, questiona.
A deputada também critica propostas como o PLP 152, que trata da regulamentação do trabalho por aplicativos e que está em discussão no governo, na mesa do ministro Boulos. Segundo ela, o projeto, em vez de garantir direitos plenos, consolida formas de precarização e pode piorar a vida de milhares de trabalhadores de aplicativo — uma das categorias que mais cresce no Brasil. “O PSOL nasceu para defender os precarizados, não para legitimar arranjos que mantenham trabalhadores sem direitos plenos.”
No entanto, Mônica reafirma que, diante da ameaça concreta da extrema direita, o PSOL deve manter posição favorável à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, por ausência de alternativa política viável e pelo risco que representa o avanço reacionário no país do ponto de vista eleitoral. Mas, ressalta que apoio eleitoral não significa fusão programática nem abdicação da independência crítica em relação ao governo.
“O PSOL precisa seguir como partido aliado necessário das lutas do povo trabalhador, com autonomia para criticar, propor e mobilizar. Nossa tarefa histórica é derrotar a extrema direita e construir uma alternativa socialista enraizada nas lutas reais do povo, não diluir nossa identidade em um projeto que não é o nosso.”
A luta contra a extrema direita exige unidade na ação, mas também exige independência política. É essa combinação que garantirá que o PSOL siga vivo, necessário e coerente com sua razão de existir.








