Prefeitura de Bauru oficializa aumento da tarifa de ônibus para R$6,25
A Prefeitura de Bauru (SP) oficializou um novo peso no orçamento das famílias. A partir de agosto, a tarifa do transporte coletivo passará de R$5,75 para R$6,25, um reajuste de 8,7% confirmado pelo Decreto nº 19.518, publicado no Diário Oficial.
Para tentar "suavizar" o impacto de uma tarifa técnica que, segundo a prefeitura, chegaria a astronômicos R$7,25, a administração municipal ampliou o subsídio pago às empresas de ônibus. O valor repassado saltou de R$0,75 para R$1,25 por passageiro. Na prática, com a autorização da Câmara Municipal, isso significa um desembolso de quase R$20 milhões dos cofres públicos diretos para as concessionárias.
A matemática revela uma realidade dura: o bauruense paga essa conta duas vezes. A primeira ao passar o cartão na catraca e a segunda através dos impostos que viabilizam esse repasse milionário.
Um dos pontos que mais expõe o absurdo do reajuste é a desproporção tarifária. Com o novo valor, andar de ônibus em Bauru custará quase R$1,00 a mais do que na cidade de São Paulo. Na maior metrópole do país, que possui uma malha viária e complexidade imensamente maiores, a passagem custa R$5,30. Como justificar um custo de mobilidade tão elevado em um município do interior paulista?
A Emdurb, responsável por gerenciar o sistema, defende que a revisão obedece a critérios técnicos previstos em contrato, citando a variação de custos operacionais como combustível, manutenção e "renovação da frota".
No entanto, a realidade enfrentada diariamente nas ruas conta outra história. A população paga uma tarifa de alto padrão para utilizar veículos sucateados, lidar com superlotação e sofrer com atrasos crônicos. Fica o questionamento: onde está a contrapartida de qualidade, fiscalizada e cobrada pelo Poder Público, que justifique esses valores?
Para o trabalhador que depende de apenas duas conduções diárias para ir e voltar do serviço, o gasto com transporte saltará para R$12,50 por dia. Em um mês de 22 dias úteis, são R$275,00 dedicados exclusivamente à locomoção. Uma fatia substancial da renda que corrói o poder de compra local.
Os estudantes, amparados pela legislação municipal com 50% de desconto, também sentem o golpe. A meia-tarifa passa a custar R$3,12, um valor pesado para quem estuda, faz estágio e, muitas vezes, depende de linhas que não atendem as rotas de forma eficiente.
A medida escancara a urgência de cobrar transparência sobre as planilhas das empresas de transporte. O serviço de transporte coletivo é um direito constitucional que garante o acesso à cidade, e não pode operar como um negócio altamente lucrativo sustentado pela falta de opções e pelo dinheiro público da população de Bauru.
Já passou da hora da transparência sair do papel e virar realidade no transporte público. Bauru não pode mais ficar nas mãos de empresas que só pensam no lucro enquanto quem trabalha sofre com o descaso. Ter ônibus de qualidade é um direito e, acima de tudo, exige respeito com o dinheiro do povo.







