A Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada para investigar o Fundo Social de Solidariedade de Bauru foi encerrada já nesta sexta-feira (28), apesar de uma série de evidências que apontam para irregularidades graves na gestão de recursos públicos. O caso envolve doações desaparecidas, notas fiscais sem destinação comprovada, uso político de bens públicos e até o sumiço de cerca de 400 celulares, segundo documentos analisados pela própria comissão.
É isso mesmo: 400 celulares, com valor de mercado que pode ultrapassar R$ 300 mil, constam como entregues ao Fundo Social e deveriam ser distribuídos a famílias vulneráveis ou a projetos sociais. No entanto, não há registro formal de onde esses aparelhos foram parar. O escândalo é apenas uma parte de um conjunto de irregularidades que somam mais de R$ 900 mil em doações e bens públicos recebidos.
Além dos celulares, a lista inclui:
Todos esses bens deveriam ser usados em ações sociais, mas muitas vezes saíram do Fundo sem registro de entrega, e em alguns casos foram parar em igrejas, chácaras particulares ou simplesmente desapareceram, como apontam denúncias e depoimentos.
Durante a CEI, testemunhas-chave mentiram, omitiram vínculos partidários e esconderam informações. A ex-servidora Andrea Storolli, por exemplo, negou ser filiada a partido político, mas a certidão da Justiça Eleitoral mostra que ela não só é filiada ao Partido Progressistas (PP), como foi candidata a vereadora em 2024 — mesmo partido do relator da CEI, André Maldonado.
Ela também negou conhecer retiradas de cestas básicas feitas por Marcinha (irmã de Lúcia Rosim), mas um áudio entregue à comissão mostra Andrea admitindo que as cestas saíam sem controle e “sem destino definido”. Ainda assim, ela não foi responsabilizada.
O desrespeito com o processo legislativo é tamanho que a Prefeitura não enviou documentos solicitados no prazo, e os depoentes convidados estão simplesmente se recusando a comparecer, amparados por advogados.
Mesmo com tamanha gravidade, a comissão presidida por Alexssandro Bussola encerrou os trabalhos nesta sexta-feira(27) , ignorando o clamor popular e o volume de provas.
A justificativa seria o "encerramento de prazo", mas é evidente o esforço para blindar nomes ligados ao governo Suéllen Rosim.
A conclusão da CEI sem um relatório robusto e sem responsabilizações claras soa como deboche à população de Bauru.
É preciso lembrar que não estamos falando apenas de papelada: são recursos públicos desviados, famílias que ficaram sem ajuda, e um sistema de favorecimentos suspeito operando dentro da máquina pública.
Membros da comissão:
Sandro Bussola (MDB), o relator André Maldonado (PP) e os membros Beto Móveis (Republicanos) e Pastor Bira (Podemos), além do presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, Miltinho Sardin (PSD)
Desde o início, a comissão foi alvo de críticas por sua composição: Sandro Bussola (PSD) atuou como presidente; André Maldonado (Republicanos) como relator; e Pastor Bira (Podemos) e Beto Móveis (MDB) como membros. Todos são parlamentares alinhados politicamente à prefeita e atuam como base do governo na Câmara. Isso gerou forte desconfiança pública sobre a real disposição da comissão em conduzir uma apuração séria e independente.
Mesmo com documentos que comprovam a entrada de grandes volumes de doações no Fundo Social e ausência de registros sobre sua destinação, a comissão encerrrou os trabalhos sem responsabilizações, reforçando a percepção de que o processo foi montado para proteger a prefeita, e não para apurar os fatos com rigor.
O arquivamento do caso, diante da dimensão das perdas e da gravidade das denúncias, é visto como um ato de blindagem institucional, que coloca interesses políticos acima da transparência, da justiça e do respeito ao patrimônio público.








