Documento prevê novas secretarias, mas não aponta recursos para valorização salarial, cultura, esporte e assistência; saúde apresenta lacunas em custeio e equipes
PPA 2026-2029 de Bauru prioriza novas secretarias em detrimento de investimentos e servidores por Andrezza Marques
A proposta do Plano Plurianual (PPA) 2026-2029 apresentada pela Prefeitura de Bauru revela um cenário de restrição em investimentos estratégicos, especialmente nas áreas de assistência social, cultura, esporte e valorização dos servidores públicos. Apesar de projetar receitas globais que ultrapassam R$ 11,5 bilhões no período, o documento não contempla verbas para implantação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), nem para reajustes reais ou progressões.
Enquanto isso, a administração opta por criar novas secretarias, cada uma custando cerca de R$ 8 milhões por ano, mesmo sem previsão de programas ou ações específicas. Somadas, três novas pastas devem consumir R$ 24 milhões anuais, além da recriação de 17 cargos adjuntos.
Outro ponto crítico é a saúde: embora haja previsão de obras como o Hospital Dia, o PPA não inclui recursos para custeio e equipes de trabalho, o que compromete a efetividade do serviço. Situação semelhante ocorre com a perda futura de receitas para o DAE, estimada em R$ 80 milhões anuais a partir de 2029, devido à concessão do esgoto à iniciativa privada.
As secretarias, em sua maioria, apresentaram informações mínimas, sem detalhamento de metas, ações e valores. A exceção foi a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que delineou um plano mais estruturado.
O documento ainda projeta aumento do comprometimento da folha de pagamento com a previdência, que deve passar dos atuais 43,6% para quase 51% da arrecadação municipal — o limite legal. Segundo especialistas, isso reforça o dilema de um município que amplia a máquina administrativa, mas não investe em valorização de carreira nem em serviços essenciais.
Fonte: Nelson Itaberá - Contraponto Digital







