Do mainstream ao underground,no primeiro semestre de 2025 houveram muitos lançamentos dentro da cena da cultura hip hop que vêm quebrando barreiras sociais e acrescentando cada vez mais pluralidade nas narrativas com grande peso emocional e cultural. Vem conferir alguns dos lançamentos desse ano de 2025:
Lançamentos do Rap Nacional - 1º Semestre de 2025
Em 28 de janeiro de 2025, o rapper carioca BK lançou seu quarto álbum, “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”, dando continuidade à jornada iniciada em seu álbum ”ICARUS” de 2022. Este novo trabalho aprofunda ainda mais a musicalidade e se reconecta com as raízes da música negra brasileira.
Musicalmente, o disco é marcado por influências africanas e mistura elementos de rap, R&B, samba e soul. Entre os destaques, estão os samples de artistas como Djavan, Fat Family, Evinha, Luciana Mello e Psicodélico Karma.
O álbum também conta com um curta-metragem gravado na Etiópia, que amplia a narrativa do disco. Nele, a figura da hiena é usada como símbolo de sobrevivência e transformação, representando a ideia de deixar para trás o que bloqueia nosso crescimento.
Em seu primeiro álbum de estúdio, lançado em 28 de fevereiro, Alikka, rapper e dragqueen de Marília, interior paulista, apresenta um trabalho que propõe um mergulho no conceito de pertencimento e intimidade. Como se cada faixa se propusesse a ser um cômodo de uma casa. Uma representação da fase atual da artista que traz visibilidade e peso para a cena do rap underground e do interior.
O álbum foi realizado com apoio do edital da Política Nacional Aldir Blanc, reforçando a importância do incentivo público à produção cultural periférica e independente.
Djonga, rapper e compositor de Belo Horizonte (MG), lançou seu oitavo álbum, “Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto!” em 13 de março. O título traz uma metáfora de uma “fome metafísica” não por alimento, mas sim por crescimento pessoal e espiritual, profundidade artística e justiça social.
Com 12 faixas bem trabalhadas, o disco se propõe a ser um retrato do Brasil atual. Djonga explora seu eu lírico no lugar da dor, da resistência, do amor e da esperança, articulando críticas políticas, reflexões filosóficas e memórias afetivas. A produção, assinada por Coyote Beatz e Rapaz do Dread, passeia pelo boom bap, jazz, pop e elementos orgânicos, mas sempre com o peso digno de um som do Djonga.
Stefanie Roberta Ramos da Costa, conhecida como MC Stefanie, é uma rapper, cantora e compositora de Santo André (SP). Em 25 de abril de 2025, ela lançou seu primeiro álbum solo, BUNMI, que em iorubá significa “meu presente”, uma referência à sua ancestralidade e entrega pessoal à cultura hip hop.
Contando com dez faixas, o disco aborda temas como amor, racismo, saúde mental e resistência, trazendo as vivências de Stefanie como mulher preta, mãe e artista da periferia. Em um cenário ainda dominado por homens, ela é uma das que se destacam ao ocupar espaço com uma lírica firme e pesada, trazendo a manifestação de uma perspectiva feminina e negra ao hip hop.
Diretamente da baixada santista, Kyan, juntamente com sua dupla Dj Mu540, lançam o EP “Dois Quebrada inteligente” em 2 de junho, trazendo uma continuação do primeiro álbum que foi sucesso em várias plataformas. O projeto consolida o subgênero FRAP, que funde trap e funk, agora ampliado pelas mãos de Mu540 com pitadas de house, jungle, dubstep e speed garage.
Visualmente, a estética quebrada se faz presente na capa e no figurino, reafirmando a conexão com a cultura de rua. Um manifesto sonoro e político que traduz a energia criativa das periferias brasileiras nascida da urgência, mas com uma pitada futurística e diversificada.
Fabricio Suarez Teixeira, o rapper mineiro FBC, lançou “Assaltos e Batidas” em 6 de junho que é acompanhado por um curta-metragem gravado em Belo Horizonte. Com 11 faixas, o álbum adota o boombap clássico e batidas cruas, distorções e samples de Racionais MC’s, Facção Central e BaianaSystem traçando um retrato da vida da periferia brasileira com todas suas confluências e dificuldades.
A produção, assinada por Coyote Beatz, Pepito, DJ Cost e Nathan Morais, devolve a sonoridade do hip hop dos anos 90 com nostalgia nas batidas, porém, é um contraponto ao rap mais comercial, reafirmando uma ironia com seu caráter político e marginal.
Em 12 de junho, o rapper Big Bllakk lançou o álbum “Pra não dizer que não falei das Flores”, trabalho que revisita e reinventa o legado de Geraldo Vandré, compositor símbolo da resistência durante a ditadura militar. A partir dessa referência, Bllakk constrói uma obra que flerta com o protesto, mas mira nas sutilezas do afeto, da escuta e da permanência. Estilo de produção que já vem sendo utilizada pelo artista quando homenageia outros artistas: Jorge Ben e Chico Buarque.
O disco é uma homenagem à cultura preta e periférica em sua forma mais sentimental. Entre letras que abordam espiritualidade, relações familiares e questões sociais, Big Bllakk afirma sua caminhada como artista que pensa o Brasil a partir das margens.
Diretamente de Brasília, Distrito Federal, o rapper Don L apresenta “Caro Vapor II: Qual a Forma de Pagamento?”, sequência aguardada de sua mixtape de estreia de 2013. O projeto revive a estética mas se amplia quando utiliza de samples de Milton Nascimento em faixas como “Para Kendrick e Kanye”, samba, bossa-jazz, funk e instrumentais. Formando assim um mosaico sonoro que representa a pluralidade da cultura brasileira.






