Os Números que Provam como a Gestão Rosim Esvaziou o DAE para Pavimentar o Caminho da Concessão"
Gestão de Saneamento em Bauru
Desde que assumiu, a prefeita Suéllen Rosim (PSD) parece ter operado sob uma lógica de paralisia estratégica. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, cujas obras se arrastam há mais de uma década, tornou-se o símbolo dessa inércia. Ao deixar a estrutura apodrecer sob o sol enquanto os índices de tratamento despencavam, a prefeitura construiu o cenário de "caos absoluto" o terreno fértil necessário para vender a ideia de que o setor público é incapaz.
Ao investir apenas R$ 23,94 per capita em saneamento (índice irrisório comparado a cidades do mesmo porte), a administração não apenas falhou na gestão; ela pavimentou o caminho para a entrega do patrimônio público.
Com a cidade oficialmente no fundo do poço estadual, a narrativa oficial mudou de "vamos resolver" para "não temos como resolver sozinhos". Recentemente, a prefeitura oficializou a concessão do sistema de esgoto por 30 anos ao "Consórcio Saneamento Bauru".
A estratégia é clássica: sucateia-se o serviço, reduz-se a eficiência a níveis vergonhosos e, quando a população está exausta e cercada por esgoto in natura, apresenta-se a privatização como a tábua de salvação. A profecia foi cumprida: a gestão Rosim não entregou a ETE concluída, mas entregou a chave do sistema à iniciativa privada, sob o pretexto de que o DAE (Departamento de Água e Esgoto) já não tinha mais fôlego para operar.
A solução apresentada como "única" virá com faturas pesadas. Embora o consórcio prometa investimentos para concluir a ETE até 2028, o controle de um recurso vital agora está nas mãos do lucro. Bauru, que já ostentou um dos maiores potenciais de desenvolvimento do interior paulista, chega a 2026 como um exemplo negativo de como o descaso político pode ser utilizado como ferramenta de engenharia para transferir responsabilidades públicas ao mercado.
A prefeita Suéllen Rosim deixará seu nome na história de Bauru não pela conclusão da maior obra sanitária da cidade, mas por ter sido a arquiteta do colapso que tornou a privatização inevitável aos olhos do senso comum.







