Sindicato aponta tentativa de criminalização da atuação sindical contrária ao modelo cívico-militar em Bauru; professor aponta perseguição
Professor denuncia perseguição política após mobilização contra escola cívico-militar em Bauru
O professor e diretor da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Marcos Chagas, denuncia ter sido alvo de perseguição política e tentativa de criminalização após participar de uma mobilização contrária à implementação do modelo de escola Cívico-Militar na Escola Estadual Durval Guedes, no mês de julho em Bauru. A diretora da unidade registrou boletim de ocorrência contra o professor e o sindicato, o que gerou repúdio público da entidade e levantou preocupações sobre o enfraquecimento da liberdade sindical no ambiente escolar.
“Recebi a intimação da Polícia Civil com um misto de indignação e revolta. Uma porque é transformar um debate tão importante, sobre militarizar escolas, em caso de polícia. E uma revolta por conta de ter apresentado para a polícia argumentos e pontos que não existiram, que não aconteceram da forma como é colocado. Então, é mobilizar a estrutura da Polícia Civil com a estrutura pública, somente com a intenção de criminalizar, de criar constrangimento, de dificultar o trabalho sindical e de ataque pessoal a um professor”, contou Marcos.
Segundo o professor, a decisão da direção de recorrer à Polícia Civil, em vez de abrir diálogo com a comunidade, demonstra uma tentativa clara de intimidação. “Enquanto sindicato, desde quando o governo anunciou a implementação desse modelo de escola cívico-militar no estado de São Paulo, a gente passou a acompanhar essa situação nas escolas aqui em Bauru. E aí, depois de uma consulta nas escolas, a imensa, grande maioria das escolas negaram a implementação. Infelizmente, apenas duas escolas aceitaram fazer a consulta com a comunidade, que nesse primeiro momento era uma decisão unilateral das direções da escola. E nós percebemos que isso passou a ser, na verdade, uma decisão mais política do que pedagógica”, pontuou.
A mobilização organizada pela Apeoesp, com apoio de pais, estudantes e professores, contribuiu para a rejeição da escola Durval Guedes pelo próprio governo estadual no processo de adesão ao modelo Cívico-Militar, que antes tinha a conversão para o modelo cívico-militar como certa.
A Secretaria da Educação (Seduc) do Estado de São Paulo publicou em abril no diário oficial a lista final das 100 unidades que vão aderir ao Programa da Escola Cívico Militar a partir do segundo semestre em Bauru. O relatório apresentou apenas uma escola estadual (EE) na cidade, a Professor Morais Pacheco, selecionada apesar de interesse também da EE Durval Guedes de Azevedo. “Na minha visão, a gestão da escola desde o início mostrou uma enorme dificuldade em relação ao debate público, sobre a implementação do modelo cívico-militar. Isso muda a realidade da comunidade, da escola e houve muita reclamação por parte da comunidade pela falta de transparência, por como estava sendo conduzido o processo. E mesmo assim foi anunciado, apareceu no JC, que a escola iria virar cívico-militar. Nós, enquanto sindicato, uma vez que a gente não conseguiu fazer esse debate dentro da escola, com a comunidade, de forma como deveria ser conduzido, nós fizemos o debate com a comunidade mesmo fora da escola, apresentando os pontos em relação à implementação, fazendo a conversa, ouvindo e aí entendemos que o B.O, por parte da gestão da escola é como uma retaliação, por não terem conseguido implementar o modelo que eles tantos desejavam e que acabou não sendo aprovado”.
O caso acende o alerta sobre os impactos da perseguição política a educadores que atuam em defesa da educação pública. “Infelizmente, essa tentativa de criminalização que a gente está passando aqui em Bauru representa bastante a realidade das escolas públicas no estado de São Paulo, principalmente na gestão do Tarciso e do secretário Renato Feder, onde as escolas se tornaram muito mais autoritárias, sem espaços democráticos, onde os professores estão sofrendo assédio moral aos montes, onde o espaço da escola não tem espaços democráticos de participação dos estudantes, da comunidade. ”, conclui.
A Apeoesp declarou total solidariedade ao professor e informou que sua assessoria jurídica já acompanha o caso. A entidade reafirma sua posição contrária ao modelo Cívico-Militar e defende uma educação pública de qualidade, inclusiva e verdadeiramente democrática.








