Dirigentes apontam falta de planejamento e mudanças constantes na Secretaria de Esportes como entraves ao desenvolvimento da modalidade
Copa Semel 2025 evidencia crescimento e desafios do futebol amador em Bauru
A Copa Semel 2025 começou neste semestre com 16 equipes inscritas, confirmando o crescimento do futebol amador em Bauru. Apesar do aumento no número de times, a competição enfrenta dificuldades: três campos seguem interditados, o calendário foi considerado “fora do comum” por dirigentes e jogadores, e a tentativa de unificação com a Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) fracassou.
“Me mudei pra Bauru na adolescência e o contato com o time do bairro foi inevitável. Eu já era apaixonado por futebol e ali vi um modo de me inserir na comunidade. Comecei a acompanhar mais de perto em 2011, e em 2013 já era um torcedor presente em quase todos os jogos. Fez parte da minha formação como pessoa”, relembra Henrique Thomás, dirigente e torcedor ativo do futebol de várzea.
A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) adotou um calendário alternado entre a Copa Semel e a LBFA para compensar os campos interditados. A solução, porém, é considerada improvisada por quem participa da organização. “A principal questão hoje é a falta de um projeto de longo prazo, não só para o futebol amador, mas para todo o esporte da cidade. Nos últimos três anos já foram quatro secretários diferentes, o que inviabiliza qualquer plano de crescimento. Todos os anos se repetem os mesmos problemas e as mesmas soluções paliativas”, critica Thomás.
A situação se agravou com a troca no comando da pasta em julho de 2025, quando Roger Barude deixou o cargo e foi substituído por Leandro Ávila Rodrigues. O novo secretário assumiu em meio às críticas, já que viajou logo após ser empossado, deixando os campos ainda sem liberação.
Apesar do anúncio de reabertura do estádio Nelson Reginato, no Redentor, o dirigente considera a medida insuficiente. “Ainda é muito pouco, tendo em vista que tivemos dois anos parados pela pandemia e campos em reformas que nunca terminam. Somos obrigados a usar espaços privados, como o campo do Triagem, o que gera custos e riscos de segurança”, ressalta.
Uma proposta de “Copa União”, que unificaria Copa Semel e LBFA, foi discutida, mas rejeitada pelos clubes. Assim, os torneios seguem paralelos, disputando datas e atenção do público. Para Thomás, a solução passa por maior participação dos times na gestão: “Uma ideia positiva seria a criação de uma liga independente, administrada pelos clubes, cabendo à prefeitura apenas a manutenção dos espaços e a segurança. Também é essencial mais investimento em pessoal técnico e transparência nos custos do campeonato. O futebol amador é hoje a principal opção de lazer e esporte da periferia, mas recebe menos apoio do que eventos menores de outras áreas”.
Mesmo diante das dificuldades, a página oficial da LBFA no Facebook continua publicando tabelas, resultados e transmissões ao vivo, reforçando a vitalidade do futebol de várzea em Bauru. Para além do esporte, os jogos movimentam bairros inteiros e funcionam como espaço de lazer comunitário.







